
Marcela Ceribelli discusses the complexities and societal perceptions surrounding women changing their minds.
Eu ia fazer este episódio sobre mudança de rota. Sobre aquele momento em que a vida pede uma curva e a gente insiste em seguir em linha reta só porque já informou aos outros que era por ali. Mas no meio do caminho eu mudei de ideia. E essa mudança de ideia acabou me parecendo o próprio centro do episódio. Porque mudar de ideia, para uma mulher, raramente é tratado como um gesto simples. Às vezes é lido como falha de caráter. Às vezes como ingratidão. Às vezes como instabilidade. Às vezes como manipulação. E, em certos contextos, mudar de ideia ainda pode ser entendido como provocação, afronta ou fraude. A mulher que muda de ideia no trabalho é vista como difícil. A mulher que muda de ideia numa relação é vista como cruel. A mulher que muda de ideia no sexo ainda corre o risco de ser tratada como mentirosa. Como se o problema não fosse a incapacidade do outro de lidar com um limite, mas a audácia dela de estabelecê-lo. Essa é uma das ficções mais persistentes da cultura patriarcal: a ideia de que o desejo masculino tem uma espécie de precedência natural, e que o desejo feminino existe mais como resposta do que como soberania. Eu sou a Marcela Ceribelli. Esse é o segundo episódio…
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