
This episode explores the themes of abandonment and identity in José de Alencar's novel 'Iracema'.
Você tem um amigo que sumiu. Ele não morreu, não mudou de cidade, não brigou com ninguém: começou a namorar. Parou de aparecer no sábado, parou de responder no grupo, e um dia fala com as palavras da outra pessoa. Iracema , de José de Alencar, é o romance de 1865 que conta esse apagamento do primeiro dia ao último, e que começa pelo fim, com um barco deixando a costa do Ceará e um nome de mulher ecoando da praia. Iracema, a virgem dos lábios de mel, guarda o segredo da jurema e o mistério do sonho. O pajé diz o preço antes de qualquer beijo: se a virgem se entregar ao guerreiro branco, ela morre; o hóspede é sagrado . Martim pede o vinho da jurema para ter a mulher sem a consequência. Na fronteira das terras tabajaras ela responde: "Araquém já não tem filha" . Ninguém a arrasta. Ela escolhe. Neste episódio de 17 minutos: a flecha fincada no chão com um caranguejo e um ramo de maracujá, o recado de abandono que ela lê como uma carta; a lagoa que os guerreiros passaram a chamar de Mocejana, a abandonada; o diagnóstico que a própria Iracema faz ("teu corpo está aqui, mas tua alma voa para a terra de teus pais"; "Iracema é a folha escura que faz sombra em tua alma; deve cair")…
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