
Natália Sousa reflete sobre a dificuldade de estabelecer limites em situações cotidianas.
A ideia é que eu fizesse metade do trajeto de avião e a outra metade, mais curta, de carro. Mas tinha rolado uma tempestade gigante, daquelas que deixam um rastro de destruição nos dias anteriores, e alguns aeroportos tinham sido fechados. Os voos que não tinham acontecido, começaram a ser remarcados, criando uma bola de neve de atrasos, cancelamentos e caos. Como nessa semana eu tinha uma palestra bem cedo, o pessoal da agência achou melhor que eu fizesse o trajeto inteiro de carro, assim a gente tinha mais controle do horário que eu chegaria. Então, no dia certo e na hora marcada, eu entrei no carro e, quatro horas depois, eu cheguei no hotel, onde eu ficaria, enquanto eu estivesse na cidade. Assim que eu atravessei a porta de vidro, que separava o hotel da calçada, eu olhei no relógio e vi que faltava, ainda, três horas pro check in. Quando eu vi que não era possível adiantar a minha entrada no quarto, eu fiz uma pergunta que me levaria para uma situação, que, por sua vez, me faria pensar o porque é tão difícil colocar limite. Mas vamos por partes. Nesse momento, eu ainda to na recepção, puxando a mala de rodinha pro meu lado e perguntando pro moço: eu consigo tomar um café da…
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