
Insights from recent episode analysis
Audience Interest
Podcast Focus
Publishing Consistency
Platform Reach
Insights are generated by CastFox AI using publicly available data, episode content, and proprietary models.
Most discussed topics
Brands & references
Total monthly reach
Estimated from 1 chart position in 1 market.
By chart position
- 🇵🇱PL · News#192500 to 3K
- Per-Episode Audience
Est. listeners per new episode within ~30 days
150 to 900🎙 Daily cadence·24 episodes·Last published today - Monthly Reach
Unique listeners across all episodes (30 days)
500 to 3K🇵🇱100% - Active Followers
Loyal subscribers who consistently listen
200 to 1.2K
Market Insights
Platform Distribution
Reach across major podcast platforms, updated hourly
Total Followers
—
Total Plays
—
Total Reviews
—
* Data sourced directly from platform APIs and aggregated hourly across all major podcast directories.
On the show
From 28 epsHosts
Recent guests
Recent episodes
Após divergências, Macron e Meloni buscam reaproximação em cúpula bilateral inédita
Jun 25, 2026
Unknown duration
Alemanha se junta à França em projeto para desenvolver 'tanque do futuro'
Jun 24, 2026
Unknown duration
Referendo do Brexit completa 10 anos, em meio a nova crise política no Reino Unido
Jun 23, 2026
Unknown duration
Ultraliberal eleito na Colômbia promete respeitar a Constituição e governar para os que pensam diferente
Jun 22, 2026
Unknown duration
Entre esquerda e extrema direita, Colômbia pode redefinir em eleição o mapa político regional
Jun 19, 2026
Unknown duration
Social Links & Contact
Official channels & resources
Official Website
Login
RSS Feed
Login
| Date | Episode | Topics | Guests | Brands | Places | Keywords | Sponsor | Length | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 6/25/26 | ![]() Após divergências, Macron e Meloni buscam reaproximação em cúpula bilateral inédita | Os dois países mantêm uma parceria histórica, mas as relações se distanciaram nos últimos anos em meio a divergências entre Macron e Meloni. A cúpula busca relançar a cooperação bilateral, com defesa e segurança entre os principais temas da agenda. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão A primeira cúpula bilateral entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, acontece nesta quinta-feira (25), em Antibes, no sul da França. Embora os dois líderes se encontrem com frequência em diversas ocasiões, esta é a primeira vez que os governos organizam uma cúpula bilateral para discutir exclusivamente a relação entre Itália e França. A expectativa é que o encontro sirva para descongelar a parceria entre Roma e Paris e relançar uma cooperação que perdeu força nos últimos anos. Em 2021, ainda durante o governo de Mario Draghi, os dois países assinaram o Tratado do Quirinale, com o objetivo de reforçar a cooperação em áreas como defesa, migração, cultura e energia. O acordo também previa a realização de uma cúpula anual para acompanhar o avanço dessa parceria. No entanto, Meloni assumiu o cargo de primeira-ministra no ano seguinte à assinatura do tratado, e as divergências políticas com Macron acabaram contribuindo para que o acordo, apesar de estar em vigor, não apresentasse novos avanços. Meloni dirige um governo de direita, liderado pela extrema direita, enquanto Macron é um centrista que governa com a direita, com uma agenda econômica liberal. Por isso, a cúpula é vista como uma oportunidade para destravar esse tratado e definir um roteiro para reforçar a cooperação entre os dois países. Cada delegação será representada por nove ministros, em discussões que devem abranger diversos temas. Defesa e segurança No centro dos debates deve estar o fortalecimento da defesa europeia e da cooperação entre as indústrias de defesa da França e da Itália. Há ainda a expectativa de avanços em acordos ligados à segurança no Mediterrâneo. Em entrevista à imprensa italiana, Giorgia Meloni indicou que também estará em pauta o futuro da Unifil, a missão de paz da ONU no Líbano. O mandato da missão termina no fim deste ano e, então, está prevista a retirada gradual das tropas. Em meio às tensões na região, porém, Itália e França devem buscar uma cooperação para manter a presença internacional no sul do Líbano. Na véspera, Macron e Meloni se reuniram em Berlim A cúpula bilateral acontece um dia depois de Macron e Meloni participarem de uma reunião com Alemanha, Reino Unido e Polônia – grupo chamado de E5. O foco foi a preparação para a cúpula da OTAN, que acontece nos dias 7 e 8 de julho, em Ankara, na Turquia. O encontro contou também com a participação remota do secretário-geral da aliança, Mark Rutte. O objetivo era demonstrar unidade entre as principais potências europeias antes da reunião da OTAN. Dois temas estiveram no centro das discussões: o reforço da defesa europeia e a guerra na Ucrânia. A questão ucraniana vinha sendo discutida principalmente pelo chamado E3, formado por França, Alemanha e Reino Unido. A exclusão de Roma incomodava Meloni, que defende um formato mais amplo e representativo dos países europeus. Por isso, a participação da Itália no encontro de quarta-feira também teve um peso simbólico importante. Em relação à Ucrânia, no entanto, ainda existem diferenças entre Macron e Meloni. O presidente francês não descarta o envio de tropas europeias após um eventual cessar-fogo e defende uma adesão mais rápida de Kiev à União Europeia. A premiê italiana, por outro lado, adota uma posição mais cautelosa e se opõe às duas propostas. Sobre a entrada da Ucrânia no bloco, Meloni defende que o processo siga as regras tradicionais, sem prejudicar países dos Bálcãs que aguardam há anos para ingressar na União Europeia. França e Itália sinalizam deixar as divergências de lado A relação entre Emmanuel Macron e Giorgia Meloni foi marcada por divergências nos últimos anos. Macron defende uma Europa mais integrada, enquanto Meloni adota uma linha mais nacionalista. Ainda assim, a premiê italiana moderou o discurso desde que chegou ao poder. Apesar das diferenças com Macron, evitou apoiar abertamente adversários políticos do francês ideologicamente mais próximos a ela, como Marine Le Pen e Jordan Bardella. Mesmo assim, os dois líderes acumularam momentos de tensão ao longo dos últimos anos. Um dos episódios mais delicados foi a polêmica sobre o direito ao aborto durante a cúpula do G7 realizada na Puglia, em 2024. A ausência de uma referência explícita ao tema no documento final desagradou Emmanuel Macron, que fez críticas ao governo italiano. Outro ponto de atrito foi a tentativa de Meloni de se apresentar como uma ponte entre Donald Trump e os países europeus, estratégia que nunca foi vista com muito entusiasmo pelo governo francês. Por isso, a cúpula desta quinta-feira é interpretada como um gesto importante de reaproximação. O encontro sinaliza que Roma e Paris estão dispostas a deixar de lado parte das divergências dos últimos anos para fortalecer a cooperação entre os dois países. | — | ||||||
| 6/24/26 | ![]() Alemanha se junta à França em projeto para desenvolver 'tanque do futuro' | O parlamento da Alemanha deve se reunir nos próximos dias para aprovar ou não a aquisição da empresa de armamentos KNDS pelo governo do país. Berlim anunciou esta semana sua intenção de adquirir 40% da companhia, que é conhecida por ser a fabricante dos dois principais tanques de guerra europeus, o alemão Leopard e o francês Leclerc. O objetivo é juntar forças com o governo da França, que já é proprietário de 50% da KNDS, para trabalhar no desenvolvimento de um veículo que está sendo chamado de “tanque do futuro”. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf O movimento faz parte de um tabuleiro complexo que envolve a invasão da Ucrânia e a redução do poder bélico dos Estados Unidos na Europa. A aquisição significa um posicionamento estratégico da Alemanha para os próximos anos e também um reforço da parceria com a França para aumentar o poder de defesa da União Europeia, em um contexto em que a Rússia está gastando mais do que nunca em equipamentos bélicos. A KNDS é uma empresa que foi formada em 2015 com a fusão da alemã Krauss-Maffei Wegmann com a francesa Nexter. Atualmente, o governo francês é dono de 50% da companhia, e a outra metade pertence à família alemã proprietária da Krauss-Maffei Wegmann. É essa parte, que vale em torno de € 16 bilhões, que o governo alemão pretende comprar. A empresa anunciou nesta quarta-feira (24) uma oferta pública de ações, o chamado IPO, nas bolsas de Frankfurt e Paris. Os governos da França e da Alemanha chegaram a um acordo para equalizar suas participações na empresa. Inicialmente, cada país deve deter cerca de 40%, com os 20% restantes destinados ao mercado. Ao longo dos anos, essa fatia estatal deverá ser reduzida para aproximadamente 30% para cada governo. Tanques ou drones? A importância dos tanques em um contexto de guerra moderna está no centro do debate, em um momento em que a Ucrânia ataca Moscou com drones, que são equipamentos baratos e leves, justamente o oposto de um tanque. Mas vale lembrar que a própria Ucrânia recebeu e está utilizando mais de 100 tanques alemães Leopard, justamente produzidos pela KNDS. E eles são considerados cruciais no embate com a Rússia, ainda que os drones sejam os protagonistas da guerra. No mês de abril houve relatos de que as Forças Armadas da Ucrânia teriam alcançado um novo recorde utilizando tanques Leopard do tipo 2A6. Ele teria destruído um tanque russo T-72 B3 a uma distância de 5,5 quilômetros. Nunca antes um duelo de tanques tinha conseguido atingir uma distância tão longa. O recorde anterior era de 1991, da Guerra do Golfo, quando um tanque Challenger 1 da Guarda Real Escocesa destruiu um tanque T-55 iraquiano a uma distância de cerca de 5,1 quilômetros com um único projétil. Esses relatos do front carecem de uma comprovação exata, mas dão a dimensão da importância que os tanques de guerra ainda têm e terão num cenário de guerra europeia que a Alemanha considera certo nos próximos anos. Quem passou pela feira militar Eurosatory, em Paris, na semana passada, foi apresentado ao protótipo de um sucessor do tanque de batalha Leopard 2. O conceito se chama MBT Vision 2032 e é criação de uma joint venture justamente entre a KNDS e a Rheinmetall, outra gigante da indústria bélica, que teve forte participação na Segunda Guerra Mundial. Como o nome indica, o MBT Vision 2032 está sendo planejado para 2032 e será uma espécie de Leopard 3, a terceira versão deste que é considerado o melhor tanque de guerra do mundo. Mas dessa vez, ele será alemão e também francês, em um cenário bastante diferente daquele da Segunda Guerra Mundial. Retirada americana da Europa O Comissário Europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, disse essa semana que a Europa precisa substituir rapidamente as capacidades militares que os Estados Unidos vão retirar do continente. Ele alertou que, se não forem tomadas medidas rápidas, esta retirada representará “um convite aberto” para o presidente russo, Vladimir Putin, "testar" a capacidade de dissuasão dos aliados europeus. Em Bruxelas já é dado como certo que os Estados Unidos reduzirão sua capacidade bélica na Europa em termos materiais, não exatamente em tropas. Guerra antes e depois da Ucrânia A Ucrânia passou de problema a solução. As forças armadas do país estão testando todo tipo de armas e estratégias que a OTAN e a indústria bélica europeia não eram capazes de testar desde a Segunda Guerra Mundial. A KNDS construiu postos avançados de manutenção dentro do território ucraniano, não só para consertar mas também para aperfeiçoar armas de guerra em pleno combate. A Ucrânia foi o primeiro país a receber o novo obuseiro sobre rodas RCH 155, também produzido pela KNDS. O Comissário Europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, disse também que as forças armadas da Ucrânia são "as mais fortes e poderosas da Europa" e acrescentou que "não há exército na Europa ou nos Estados Unidos capaz de conduzir uma guerra moderna" como a Ucrânia está fazendo. Ele defendeu a integração da Ucrânia na arquitetura de defesa europeia a partir de agora. Nesta quarta-feira (24), os líderes da Alemanha, França, Itália, Polônia e Reino Unido se reúnem em Berlim, com participação remota do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, para discutir caminhos diplomáticos para o fim da guerra na Ucrânia. | — | ||||||
| 6/23/26 | ![]() Referendo do Brexit completa 10 anos, em meio a nova crise política no Reino Unido | A votação pela saída do Reino Unido da União Europeia completa uma década nesta terça-feira (23), em meio à renúncia de mais um primeiro-ministro britânico. Dez anos depois, o cenário político continua tumultuoso: o país teve seis chefes de governo nesse período. Yula Rocha, correspondente da RFI em Londres Após a vitória histórica dos trabalhistas em 2024, que marcou o retorno do partido ao poder com a promessa de restaurar a normalidade, Keir Starmer – hoje um dos líderes mais impopulares do país – abre caminho para uma possível renovação interna no partido. O nome mais cotado para ocupar o cargo de primeiro-ministro é o de Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, um político carismático e que muitos acreditam estar mais alinhado aos problemas enfrentados. Ele é apontado como único capaz de conter a ascendência do arquiteto do divórcio do Reino Unido com a União Europeia, Nigel Farage, líder do Reform UK. Farage comanda o avanço da extrema direita e causa apreensão tanto em conservadores moderados quanto em liberais, com a pauta anti-imigratória, que continua sendo o ponto central da agenda política que motivou o Brexit. Ainda assim, uma pesquisa recente da consultoria Ipsos indica uma mudança de humor: quase 60% dos britânicos votariam hoje pelo retorno ao bloco europeu em um novo referendo. O sentimento é diferente entre residentes da Inglaterra, do País de Gales e da Escócia. Uma pesquisa do YouGov indicou que entre os escoceses a insatisfação com o Brexit sobe para 75%. Imigração Durante o período em que vigorou o acordo de livre circulação de mercadorias e pessoas, o número de europeus vivendo no Reino Unido subiu substancialmente. Com a aprovação do Brexit – que muita gente acreditou ser o preço a se pagar para erguer muros nas fronteiras e melhorar a economia –, o número de imigrantes, no entanto, continuou a aumentar. Sem os europeus, as universidades passaram a recrutar estudantes internacionais de outras partes do mundo, muitos deles acompanhados de suas famílias. O sistema público de saúde também precisava – e ainda precisa – de mão de obra estrangeira para dar conta do serviço. O governo britânico concedeu vistos humanitários a ucranianos e cidadãos de Hong Kong. Os conservadores apertaram as regras de imigração, e o fluxo de entradas e saídas foi controlado, mas esses dados não estão diretamente relacionados ao Brexit. Conflitos ao redor do mundo, além das crises climática e econômica no pós-Covid, forçaram muitos migrantes sem documentação, especialmente da África e da Ásia, a enfrentar a travessia perigosa do Canal da Mancha em embarcações precárias, chegando à Inglaterra para pedir asilo político. Dez anos depois da votação, a questão migratória continua a dividir o país e alimenta a ascensão do partido Reform UK, de Nigel Farage. Economia A previsão pós-Brexit era catastrófica, e é importante também levar em conta o impacto das guerras, do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, e da pandemia. O país não chegou a mergulhar numa recessão, mas está mais pobre – ou menos rico – do que antes. A economia encolheu cerca de 6%, segundo o Banco Central da Inglaterra, enquanto os investimentos caíram 18%. A União Europeia continua, de longe, a ser o principal parceiro comercial do Reino Unido, embora agora em condições menos favoráveis desde a saída do bloco, com barreiras alfandegárias, exigências sanitárias e maior regulação. A promessa de autonomia para negociar com quem bem entendesse resultou em acordos de livre comércio com Índia, Austrália e Nova Zelândia, do outro lado do mundo, mas não foi suficiente para compensar a perda de dinamismo nas trocas com os vizinhos europeus. Política abalada com Brexit Durante a última campanha eleitoral, que levou à vitória histórica dos trabalhistas em 2024, e ao longo dos anos recentes, a centro-esquerda do primeiro-ministro Keir Starmer evitou tocar no tema do Brexit – em parte porque muitos de seus eleitores, sobretudo em cidades pós-industriais, votaram pela saída do bloco. Com o crescimento do partido Reform, de Nigel Farage, Starmer passou a adotar um discurso mais duro sobre imigração e chegou a afirmar que, sem controle das fronteiras, o Reino Unido se tornaria uma “ilha de estranhos”. A declaração gerou críticas, e o premiê recuou – tarde demais. Uma parcela significativa dos eleitores trabalhistas, decepcionados com políticas sociais consideradas mais alinhadas à direita, migrou para o Partido Verde ou até mesmo para o Reform, de extrema direita, em busca de algo novo. Resta saber qual será a política migratória adotada por seu possível sucessor, Andy Burnham. Embora tenha se posicionado contra a saída do Reino Unido da União Europeia, ele foi eleito em um reduto que votou a favor no referendo. Com a percepção crescente de que o Brexit foi um péssimo negócio para o país, o governo britânico tem buscado uma reaproximação com a Europa continental. Um exemplo concreto era a cúpula marcada para 22 de julho, que deveria tentar fechar um novo acordo sanitário e um programa de mobilidade para jovens voltarem a estudar e trabalhar entre o Reino Unido e a União Europeia. Com a renúncia de Starmer, o encontro foi temporariamente adiado, nesta terça-feira, até a confirmação do novo chefe de governo britânico. | — | ||||||
| 6/22/26 | ![]() Ultraliberal eleito na Colômbia promete respeitar a Constituição e governar para os que pensam diferente | A Colômbia elegeu o advogado penalista e empresário Abelardo de la Espriella, de 47 anos, para governar o país pelos próximos quatro anos. O ultraliberal passa a ser a peça colombiana num mapa regional dominado pela extrema direita. O candidato da esquerda, Iván Cepeda, aceitou de forma provisória o resultado da contagem rápida, à espera do definitivo dentro de alguns dias. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires No discurso de vitória, Abelardo de la Espriella adotou um tom mais amistoso e prometeu respeito à Constituição de 1991 e à oposição política, maioria no Congresso. Diante de uma diferença de apenas 250 mil votos e de uma polarização que dificulta a governabilidade, o eleito pediu a união dos colombianos, inclusive dos que pensam diferente. O candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, sem nenhuma experiência prévia na política, venceu com 49,6% dos votos. O senador Iván Cepeda ficou com 48,7%. A diferença entre os dois foi de apenas 250 mil 830 votos – menos de 1 ponto percentual, exatamente 0,96%. Num país onde o voto não é obrigatório, votaram 63,6% dos colombianos aptos a votar, um recorde. Mas esse resultado preliminar, tão apertado, leva à possibilidade de uma recontagem, pelo menos parcial, dos votos. Com um tom sereno, o candidato derrotado, Iván Cepeda, reconheceu o resultado preliminar, mas avisou que vai pedir a impugnação de 33 mil mesas de votação. Cepeda disse que “este primeiro resultado não é oficial nem vinculante” até que venha “o resultado final” da contagem oficial. O presidente Gustavo Petro foi mais enfático ao afirmar que “ainda não é possível proclamar nenhum eleito”, que “só a contagem definitiva determina quem é o presidente” e que há “evidências de que o processo teve muitas irregularidades”. O procurador-geral, Gregorio Eljach, no entanto, afirmou que não houve um único fato que tenha afetado a transparência nem a tranquilidade da eleição. Derrota implicitamente reconhecida Apesar das ressalvas, Iván Cepeda fez um discurso em que a derrota estava implicitamente reconhecida, sem admiti-la de forma definitiva. Avisou ao eleito que “não permitirão um recuo nas conquistas sociais que foram construídas na Colômbia ao longo destes quatro anos” do governo de Gustavo Petro. Disse também que está disposto ao diálogo e a acordos, desde que sejam respeitosos, e que decisões não podem ser impostas de forma arbitrária ou autoritária. Assinalou ainda que o eleito deve “procurar um acordo nacional para resolver os problemas colombianos”. Ou seja, Cepeda assumiu o papel de oposição. Vencedor jura defender a Constituição Já o eleito, Abelardo de la Espriella, fez um discurso de vitória atrás de um vidro blindado. Ciente de um país dividido em partes praticamente iguais, pediu união como forma de facilitar a governabilidade. “Serei o presidente de todos os colombianos. Vou governar para todos”, afirmou. Garantiu que não haverá retaliações nem perseguições contra aqueles que pensam diferente ou que não votaram nele. Diante da resistência do presidente Gustavo Petro em reconhecer a derrota do candidato governista, Iván Cepeda, o eleito pediu que “respeitem a vontade do povo colombiano” e que “se abstenham de desatar um incêndio social”. Abelardo de la Espriella fundou o partido Defensores da Pátria em julho do ano passado, numa ascensão meteórica. Ao longo de 11 meses, passou de uma versão mais radical a uma mais moderada. Há dúvidas sobre até onde estaria disposto a forçar as instituições democráticas para aprovar propostas consideradas controversas, como retirar a Colômbia da Organização dos Estados Americanos ou das Nações Unidas. Para responder às críticas, o eleito jurou “defender a Constituição com extrema coerência” e afirmou que vai respeitar a atual Carta de 1991, afastando a ideia de uma nova Assembleia Constituinte. Em conversa com o cientista político Fabián Cárdenas, do Departamento de Direito Internacional da Universidade Javeriana de Bogotá, a avaliação é que, se mantiver esse compromisso, Espriella fará um governo democrático. Ajuste fiscal A possibilidade de reação social a um ajuste fiscal é considerada real, especialmente se houver cortes em direitos adquiridos. O déficit fiscal do país é de 6,5%, e o eleito prometeu reduzir o tamanho do Estado em 25% ao longo do mandato. Segundo Humberto Librado, diretor do Departamento de Ciência Política da mesma universidade, há risco de tensão nas ruas caso benefícios sociais sejam atingidos. Para Fabián Cárdenas, a capacidade de mobilização social está sobretudo na esquerda ligada a Gustavo Petro e Iván Cepeda, do Pacto Histórico. Ele avalia, porém, que será difícil eliminar direitos adquiridos, já que as mudanças precisam passar pelo Congresso, onde o Pacto Histórico tem a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado. Ciente da capacidade de mobilização da esquerda, Abelardo de la Espriella pediu que opositores se abstenham de “semear o terror”. Disse que terão todas as garantias para exercer a oposição, desde que dentro da lei, e advertiu contra qualquer tentativa de estimular a violência. Mudança no mapa regional Com esta eleição, a América do Sul fica metade à direita ou à extrema direita; metade à esquerda, considerando que o Brasil ocupa metade do mapa. No Brasil, que terá eleições dentro de quatro meses, a expectativa é que líderes da extrema direita da região usem as redes sociais para apoiar Flávio Bolsonaro contra Lula. Segundo Fabián Cárdenas, o impacto dessa influência externa tende a ser “nenhum” ou “muito limitado a determinados segmentos políticos”, já que o Brasil tem um processo eleitoral próprio e já passou por uma experiência recente com a extrema direita. | — | ||||||
| 6/19/26 | ![]() Entre esquerda e extrema direita, Colômbia pode redefinir em eleição o mapa político regional | A Colômbia realiza o segundo turno das eleições presidenciais no próximo domingo (21). O candidato da extrema direita e advogado criminalista, Abelardo de la Espriella, sem nenhuma experiência política prévia, lidera as pesquisas. Do outro lado está o senador de esquerda e filósofo, Iván Cepeda, candidato governista para suceder o presidente Gustavo Petro. Em uma região polarizada, a Colômbia tem impacto substancial no mapa político. Nessa disputa apertada, a Copa do Mundo foi a bandeira à qual os candidatos recorreram para fazer campanha. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Esta não é a primeira vez que estão em jogo modelos diferentes na Colômbia, mas é a primeira em que as propostas são antagônicas ao extremo do espectro ideológico, com reformas que podem colocar as instituições democráticas à prova. “Mas é também uma oportunidade para as instituições democráticas demonstrarem sua capacidade de moderar esses pacotes de reformas. O atual Congresso, eleito há três meses, está fragmentado, dificultando a aprovação de iniciativas de risco. Também a Justiça tem seu peso para impedir determinados excessos”, afirma à RFI Humberto Librado, diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade Javeriana de Bogotá. Para o cientista político, a presença de projetos tão divergentes trouxe à discussão pública temas que antes não eram debatidos, como a agenda conservadora pró-família, os grupos armados ilegais, a imigração, a defesa da pátria, a reforma constitucional e os direitos indígenas. “Vemos claramente certos temas que antes não eram abordados por serem considerados tabu. O debate na Colômbia sempre foi moderado. Agora, esses assuntos são muito mais visíveis, marcando a posição de cada campo político. Essa é uma diferença desta eleição”, aponta Librado. De um lado, o ultraliberal Abelardo de la Espriella, de 47 anos, advogado criminalista e empresário que fundou o partido Defensores da Pátria há apenas um ano, propõe um programa de ajuste fiscal, desregulamentação econômica e “linha dura” contra o tráfico de drogas e a corrupção. Espriella utiliza um discurso semelhante ao de líderes como o norte-americano Donald Trump, o argentino Javier Milei e o salvadorenho Nayib Bukele, combinando ajuste fiscal, valores conservadores e “mão de ferro” contra o crime. Ele afirma que esta eleição é a batalha dos “nunca” (os que nunca tiveram chances) contra os “de sempre”. Em resumo, nos próximos quatro anos, Espriella quer um Estado 25% menor do que o atual. Já o senador e filósofo Iván Cepeda, de 63 anos, integra o esquerdista Pacto Histórico, do atual presidente Gustavo Petro, responsável pelo primeiro governo de esquerda da Colômbia. Ele propõe reformas sociais, redistribuição de terras, programas para jovens e o combate à corrupção e ao tráfico de drogas com políticas de prevenção e inteligência. Cepeda foi um dos artífices do Acordo de Paz com os guerrilheiros, assinado em 2016. Ele quer rever os tratados de livre-comércio firmados pela Colômbia, especialmente com os Estados Unidos, para proteger a produção nacional. Em síntese, defende um Estado com papel estratégico na economia. Abelardo de la Espriella surpreendeu há três semanas ao vencer o primeiro turno com 43,7% dos votos, cerca de 660 mil votos a mais do que Iván Cepeda, que obteve 40,9%. Vantagem para Espriella Das últimas cinco pesquisas, quatro apontam para a vitória do candidato da extrema direita. Apenas uma indica que Iván Cepeda tem uma vantagem de alguns décimos, dentro da margem de erro, caracterizando um empate técnico. A empresa de consultoria Celag Data aponta para uma vitória de Iván Cepeda com 40,8%, enquanto Abelardo de la Espriella apareceria logo atrás, com 39,7%. Apenas 1,1 ponto percentual de diferença, enquanto os votos brancos e nulos somariam 7,6%. Todas as demais pesquisas preveem vitória de Espriella. A consultoria CB é a que atribui a menor vantagem ao candidato da extrema direita: cinco pontos percentuais. Já o instituto brasileiro de opinião pública AtlasIntel é o que aponta a maior vantagem para Espriella, com oito pontos de diferença. Ele obteria 52,4% dos votos válidos, enquanto Iván Cepeda ficaria com 44,4%. Há três semanas, no primeiro turno, todas as pesquisas indicavam a vitória de Iván Cepeda, o que não se confirmou. Linha dura x estratégia Espriella afirma que vai destruir 330 mil hectares de coca, desmontar as milícias e criar um órgão de combate à corrupção comandado pelo próprio presidente, o que significa que ele dificilmente será investigado. Entre as propostas mais chamativas para combater a sonegação, ele pretende extinguir o órgão de controle de impostos e alfândega, substituindo-o por sistemas de inteligência artificial. Para enfrentar o crime, promete seguir o modelo do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, construindo dez penitenciárias e combatendo os grupos armados com operações militares. Iván Cepeda também propõe criar uma unidade de investigação contra a corrupção. Em relação ao combate ao crime organizado e ao conflito armado, prefere investir na prevenção para impedir que jovens sejam recrutados por grupos armados e combater as economias ilegais que alimentam o tráfico de drogas. O candidato da esquerda aposta no diálogo para incluir a guerrilha do Exército de Libertação Nacional no Acordo de Paz, do qual participam, desde 2016, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Impacto regional Uma das principais diferenças entre os dois candidatos está na política externa. Espriella avisou que vai restabelecer as relações diplomáticas com Israel, rompidas há dois anos por Gustavo Petro devido aos ataques à Faixa de Gaza. Ele também pretende transferir a Embaixada da Colômbia de Tel Aviv para Jerusalém, seguindo os passos de Donald Trump. Já Iván Cepeda rejeita qualquer tipo de intervenção militar estrangeira, como a defendida por Trump para a Venezuela, e aposta na integração latino-americana, tendo o presidente Lula como aliado estratégico. O cientista político Humberto Librado entende que quem vencer a eleição na Colômbia terá peso regional, posicionando-se a favor ou contra Lula nas eleições brasileiras. Para ele, Cepeda poderá ser uma peça regional importante para Lula, enquanto Espriella poderá desempenhar papel semelhante para Flávio Bolsonaro. “Há uma identificação entre os projetos progressistas dos presidentes Gustavo Petro e Lula. Em vários momentos de crise na Venezuela, Petro e Lula se aproximaram. Mas esses projetos progressistas fracassaram na leitura da direita. Assim, o que acontece na Venezuela ou em Cuba também é associado a Petro e a Lula dentro dessa narrativa”, avalia o especialista. “A vitória de um candidato reforça os eleitores que têm essa tendência ideológica. E, quando o discurso tem um caráter regional, ganha projeção. Em sociedades muito divididas como as nossas, essas vitórias fortalecem nos cidadãos a disposição de votar em determinado projeto político”, observa. A eleição na Colômbia, portanto, pode consolidar um bloco cada vez maior de países alinhados à extrema direita, formando uma aliança regional com Donald Trump, nos Estados Unidos, Javier Milei, na Argentina, José Antonio Kast, no Chile, Keiko Fujimori, no Peru, e Daniel Noboa, no Equador. “Se a extrema direita vencer, como indicam as pesquisas, haverá uma consolidação regional dessa tendência. Vemos uma aposta regional nessa linha, na qual a Colômbia passaria a ser um ator relevante. O alinhamento regional, em uma espécie de cruzada pelas ideias conservadoras e pela liberalização da economia, ficará muito mais evidente no mapa político da região”, afirma Humberto Librado. Javier Milei manifestou publicamente seu apoio a Abelardo de la Espriella, com quem conversou nesta semana. A interferência política de integrantes do governo dos Estados Unidos nas eleições colombianas levou mais de 20 legisladores norte-americanos a publicar cartas questionando a legalidade do apoio explícito de Trump ao candidato da extrema direita. Política em plena Copa do Mundo A exemplo do que o ex-presidente Jair Bolsonaro fazia ao usar a camisa da seleção brasileira como símbolo político, Espriella passou toda a campanha vestindo a camisa da seleção colombiana. A questão chegou aos tribunais, e uma decisão judicial permitiu que ele continuasse utilizando o uniforme. Depois disso, já neste segundo turno, Iván Cepeda também passou a vestir a camisa amarela da seleção colombiana de futebol. “Em um país apaixonado por futebol, Abelardo de la Espriella utilizou a camisa da seleção como forma de exaltar valores patrióticos. Incluiu atletas e famílias ligadas ao futebol colombiano. Procurou mobilizar o eleitorado por meio das emoções”, interpreta Librado. Nesta semana, quando os comícios estavam proibidos, os candidatos encontraram uma forma de convocar militantes e eleitores. Na quarta-feira (17), Cepeda promoveu um “bandeiraço”, aproveitando a estreia da Colômbia na Copa do Mundo. Os apoiadores se reuniram para supostamente torcer pela seleção, mas acabaram fazendo campanha para o candidato. Para não ficar de fora da iniciativa, na quinta-feira (18), Espriella também promoveu um “bandeiraço” para supostamente comemorar a vitória da seleção colombiana, mas, na prática, também fez campanha. “As vitórias no futebol exacerbaram os sentimentos nacionalistas, atingindo seu ponto máximo durante a Copa do Mundo. É uma tentação para a política capitalizar esse sentimento. E uma campanha realizada em meio a um Mundial é o cenário perfeito para fundir futebol e política”, conclui Humberto Librado. | — | ||||||
| 6/17/26 | ![]() G7: Macron celebra ‘gol' para a Ucrânia, mas Lula sai insatisfeito com resultado da cúpula | A cúpula do G7 encerrou-se nesta quarta-feira com a presidência francesa comemorando o resultado dos três dias de encontros de 15 chefes de Estado em Évian, que culminaram com a volta do apoio de Donald Trump à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Mas, para o Brasil e outros países emergentes convidados a participar do evento, o encontro ficou marcado pelas profundas diferenças de visão sobre as crises internacionais. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian À imprensa, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a escolha de acomodar os nove documentos preparados durante o encontro ao gosto do líder americano.“Nós nos comprometemos a aumentar as pressões sobre a Rússia, inclusive com o reforço das nossas sanções. A volta dessa mobilização é extremamente importante”, frisou, em uma das diversas vezes em que citou os resultados em favor da Ucrânia. Um deles, argumentou, foi o bom entendimento entre Trump e o presidente ucraniano, Volodymir Zelensky, convidado a participar. O líder americano evocou a volta de sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo, uma vitória para os europeus. Cobrado pelas concessões feitas a Trump em troca de apoio, que incluíram um jantar exclusivo no Palácio de Versalhes, Macron alegou que o monumento é um instrumento diplomático que representa o poder da França, e fez uma alusão à Copa do Mundo. “No fundo, eu sou como os bleus: jogando em casa ou no exterior, meu objetivo é marcar gols. Voilà.” Para o Brasil, ar de déjà vu Já do lado dos países emergentes, a cúpula teve um ar de déjà vu. "Está ficando um samba de uma nota só: quando os convidados chegam na reunião, os países do G7 já aprovaram os seus documentos”, lamentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao fazer um balanço bem menos otimista sobre a cúpula do que o anfitrião do evento. Esta foi a décima vez que ele participou da reunião do grupo de países industrializados. Dos oito textos sobre os diferentes temas abordados em conjunto com as cinco nações convidadas este ano – Brasil, Índia, Quênia, Egito e Coreia do Sul –, o Brasil assinou apenas três, sobre a proteção de menores no ambiente digital, o combate ao tráfico de drogas e ao câncer. A Índia, parceira do Brasil no Brics, também recusou a maioria dos documentos. Apenas duas das declarações foram apoiadas por todos os países não-membros do G7. Vazio ocupado pela China Lula foi particularmente crítico ao tom adotado sobre a China nas discussões sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais e acesso a minerais críticos. “Faz muitos anos que o Brasil faz licitação internacional e os Estados Unidos não participam. A União Europeia não participa. Quem participa? A China”, evocou. "A China ocupou um espaço que estava vazio. Nós queremos, enquanto Brasil, enquanto América Latina e terceiro mundo, sobretudo os países africanos, é que quanto mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e estarem dispostos a contribuírem, participando da exploração e da industrialização e do enriquecimento da área de mineração, desde que seja dentro do nosso país, sejam bem-vindos”, afirmou. Para o presidente brasileiro, o crescimento econômico mundial, que leve ao desenvolvimento e o aumento do mercado consumidor também nos países do Sul Global, é parte importante da solução para corrigir os desequilíbrios denunciados pelo G7: em que a China produz e exporta muito para o resto do mundo, impactando as economias desenvolvidas. “Para tentar acabar com essa discussão entre China e Estados Unidos, o mundo precisa crescer. Não adianta crescer só a Alemanha, os Estados Unidos, a França. É preciso crescer para outros países para que eles possam vender inclusive os seus produtos de maior valor agregado. Eu fiz questão de deixar claro na minha intervenção lá: é preciso vocês compreenderem que vocês precisam criar novos consumidores, que estão fora dos países de vocês. Então, façam investimentos”, argumentou Lula. Questionado pela imprensa brasileira a respeito dessas divergências, o francês Emmanuel Macron refutou a ideia de um "G7 antichinês”. "Essa não é a posição da França. É inaceitável dizer isso”, disse. "Simplesmente queremos reduzir nossa dependência. Mas não há conflito”, frisou. Encontro de Lula com Zelensky Sobre a guerra na Ucrânia, a cúpula marcou uma ocasião para o presidente brasileiro voltar a dialogar com Volodymyr Zelensky, pela primeira vez desde setembro de 2025. Os dois tiveram uma reunião bilateral ao final dos compromissos oficiais do G7 em Évian. Segundo Lula, foi "a melhor conversa" que ele já teve com o líder de Kiev. "Eu, pela primeira vez, senti o Zelensky com muita disposição de encontrar uma solução. Zelensky quer a paz e está dizendo que quer um cessar-fogo sem colocar nenhum pedido", contou, Lula. "Eu agora assumi o compromisso de outra vez fazer o que eu já fiz, ligar para todos os membros do Conselho de Segurança da ONU. Eles são os responsáveis de garantir a paz ou a guerra entre Rússia e Ucrânia”, prometeu, referindo-se aos chefes de Estado e de Governo de Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia. | — | ||||||
| 6/17/26 | ![]() Após semanas de crise, governo boliviano abre canal de diálogo com centrais sindicais | A Bolívia enfrenta uma prolongada onda de protestos que já dura semanas e pressiona o governo do presidente Rodrigo Paz. Com bloqueios, mobilizações e desgaste crescente nas ruas, diferentes setores sociais começam a sinalizar abertura para negociações em meio à crise política. O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, informou que representantes da Central Obrera Boliviana (COB), principal organização sindical do país, são esperados na manhã desta quarta-feira na sede da Presidência, para iniciar um diálogo. Pedro Pannunzio, em La Paz Na sétima semana de protestos, as manifestações na Bolívia dão sinais de desgaste, enquanto importantes organizações começam a se abrir ao diálogo com o presidente Rodrigo Paz. Desde o início de maio, diferentes grupos exigem a renúncia do mandatário. Na terça-feira (16), a Central Obrera Departamental (COD) de Santa Cruz, braço político da COB no Estado, reuniu-se com Paz para discutir a crise boliviana. Após o encontro com dirigentes da COD de Santa Cruz, o presidente anunciou que visitará o Estado nas próximas semanas para se reunir com representantes da entidade e de outros setores produtivos, com o objetivo de discutir demandas específicas da região. “Peço à Central Obrera Departamental de Santa Cruz e às demais centrais operárias do país que mantenham o diálogo. Para aqueles que não desejam dialogar, existe a Constituição e a lei”, afirmou o presidente. Mais tarde, a COB enviou uma carta ao governo com uma série de reivindicações. Entre elas, a defesa da soberania econômica e das empresas públicas, com oposição a qualquer processo de privatização. A entidade também pede a proibição da participação de empresas transnacionais na gestão de recursos estratégicos do Estado e rejeita condicionantes financeiras impostas por organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Promessas de campanha não cumpridas Os sindicatos ainda cobram o cumprimento das promessas feitas durante a campanha eleitoral e exigem garantias para suas organizações e para a pacificação do país. A pauta inclui a rejeição aos projetos de lei antibloqueios, a revogação de normas que consideram restritivas ao direito de mobilização e o fim de acusações generalizadas de terrorismo e narcotráfico contra organizações sociais sem apresentação de provas. A carta também pede a libertação de pessoas detidas durante os conflitos. O chanceler Fernando Aramayo elogiou o chamado ao diálogo feito pela COB e afirmou que a decisão representa um sinal de “maturidade política e democrática”. Diálogo adia estado de emergência Na semana passada, Rodrigo Paz sancionou uma lei que regulamenta o estado de exceção no país, após o Congresso aprovar em tramitação acelerada o projeto. Havia expectativa de que o presidente decretasse estado de emergência, o que abriria espaço para a atuação das Forças Armadas na contenção dos protestos. Durante a cerimônia de sanção da lei, Paz enviou um recado aos militares, afirmando que as Forças Armadas deveriam agir com firmeza, mas respeitando os direitos humanos. Apesar das expectativas, o presidente não decretou o estado de sítio e optou por apostar no desgaste gradual das organizações mobilizadas. A estratégia parece começar a produzir resultados. Depois de semanas com mais de 100 pontos de bloqueio, a Bolívia registrava, na noite de terça-feira, 47 bloqueios nas estradas do país. Crise de abastecimento Apesar da redução da tensão, La Paz, sede do governo, ainda enfrenta desabastecimento severo e mantém alguns pontos de bloqueio. O desabastecimento continua a afetar a rotina dos moradores. Filas para a compra de produtos básicos permanecem comuns em diferentes regiões da cidade. Nos postos de combustível, motoristas seguem enfrentando longas esperas e, em muitos casos, passam a noite nas filas para conseguir abastecer. A inflação permanece como uma das principais preocupações dos moradores da cidade. Na terça-feira, autoridades locais organizaram uma venda de frango a preços subsidiados. O resultado foi a formação de longas filas e a frustração de consumidores que deixaram o local sem conseguir adquirir o produto. Houve confusão entre moradores, e a polícia interveio. | — | ||||||
| 6/16/26 | ![]() Lideranças políticas de Israel consideram que acordo entre EUA e Irã representa um risco ao país | Ao contrário do otimismo dos mercados e do alívio demonstrado por lideranças ocidentais, Israel considera que o acordo entre Estados Unidos e Irã representa uma série de riscos ao país. Dessa vez, as críticas são contundentes e não passam apenas por conversas de bastidores. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel Neste momento, há uma situação incomum na política israelense: o consenso. Não há nenhuma voz dos principais partidos que tenha demonstrado apoio ao acordo. A diferença é como as respostas se manifestam. Membros da atual coalizão de governo, liderada por Benjamin Netanyahu, não o criticam, mas consideram prejudicial a Israel o que se sabe sobre o Memorando de Entendimentos entre Estados Unidos e Irã. Os pontos fundamentais ao país supostamente não são mencionados: o desmantelamento da infraestrutura de enriquecimento de urânio, o programa de mísseis balísticos e a atuação regional dos chamados “proxies”, grupos aliados do Irã que recebem recursos financeiros e armas do regime, como o Hezbollah, no Líbano, os Houthis, no Iêmen, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina, na Faixa de Gaza, e as milícias pró-Irã, no Iraque. Os nomes mais radicais da coalizão, como os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, dizem abertamente que “Israel não recebe ordens dos Estados Unidos” e que “Israel não é uma república das bananas”. Mas a oposição segue por outro caminho, responsabilizando diretamente Netanyahu. O ex-primeiro-ministro e líder do Partido Be'Yachad, Naftali Bennett, declarou que “o mandato do governo Netanyahu começou com uma guerra civil, continuou com o massacre de 7 de outubro de 2023 e termina com um fracasso histórico contra o Irã". Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, disse que o acordo é um “resultado deplorável de um governo falido” e que a coalizão “perdeu a confiança do público” e “abandonou os cidadãos de Israel”. Tanto Bennet quanto Eisenkot são dois dos principais candidatos para substituir Netanyahu em eleições gerais. A data do pleito ainda não foi definida, mas deve acontecer em algum ponto entre os meses de setembro e outubro. As relações entre EUA e Israel Houve desgastes importantes principalmente na relação pessoal entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Trump chegou a dizer mais de uma vez que falta bom senso a Netanyahu, que ele é uma pessoa difícil da qual discorda muitas vezes. O presidente dos EUA chegou a falar abertamente sobre o assunto em declarações à imprensa norte-americana. A dúvida é como tudo isso influencia os acontecimentos daqui para frente. Um sinal importante ocorreu num momento de tensão que antecedeu o anúncio sobre o Memorando de Entendimentos entre EUA e Irã. No último final de semana, o Hezbollah continuou a disparar foguetes e drones contra as comunidades do norte de Israel. O Estado hebreu também continuou a atacar o Hezbollah e a atuar no sul do Líbano. Uma semana antes, Tel Aviv já havia deixado claro que, em caso de novos ataques contra o seu território, agiria em Beirute ou Dahieh, o distrito que é o reduto do Hezbollah ao sul da capital libanesa. Leia tambémEm reunião tensa com Macron após fazer novas ameaças, Trump desdenha oferta de apoio de europeus Israel realizou um ataque contra um edifício em Dahieh argumentando que se tratava de uma resposta. Trump então telefonou a Netanyahu e teve uma conversa dura com o líder israelense dizendo justamente que ele não tinha bom senso. Esta conversa teve muita repercussão em Israel, justamente pela sequência dos acontecimentos. O presidente norte-americano disse que o Estado hebreu não deveria ter realizado qualquer ataque a Dahieh, na medida em que os drones e foguetes do Hezbollah disparados no final de semana “não haviam provocado a morte” de nenhum cidadão israelense. Segundo a imprensa local, em conversas privadas autoridades israelenses expressam profunda frustração com as concessões de Washington a Teerã. “Os iranianos não cumprirão o acordo, e as futuras operações para eliminar o seu programa nuclear e reduzir as suas capacidades de mísseis são uma questão de tempo”, disse uma fonte israelense. Popularidade em queda Os números em Israel são cada vez menos favoráveis a Netanyahu. Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém mostra que 45% dos entrevistados dizem que votarão apenas em um partido que se oponha à continuidade do primeiro-ministro no cargo. Enquanto 31% disseram exatamente o oposto, que querem uma legenda que demonstre apoio a Netanyahu. Outro levantamento aponta que 23% dos eleitores do norte do país dizem que apoiarão o Likud, o partido liderado por Netanyahu, nas próximas eleições – uma queda em relação aos 35% de apoiadores nesta região durante as eleições de 2022. Os moradores do norte de Israel são justamente os mais afetados pelos disparos de foguetes e drones do Hezbollah. Essa população corresponde a cerca de 30% do total de eleitores do país. Em uma sondagem do Canal 12, Netanyahu aparece apenas como a terceira opção para o cargo de primeiro-ministro, com apoio de 20% dos eleitores. O ex-general Gadi Eisenkot aparece em primeiro lugar, com 27%, e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennet tem 21%. Na divisão dos blocos de partidos no Knesset, o parlamento, a atual coalizão de governo liderada por Netanyahu aparece nas pesquisas mais recentes com 50 das 120 cadeiras, número insuficiente para formar o próximo governo. Em Israel, é preciso ter o controle de 61 pelo menos, uma maioria simples, para formar uma coalizão de governo. O bloco de oposição tem 60 cadeiras. Se o cenário permanecer desta forma e os resultados das pesquisas se confirmarem, os dez assentos que os partidos árabes possuem serão decisivos para a formação do próximo governo. | — | ||||||
| 6/15/26 | ![]() Lula chega à França para cúpula do G7 focada nos desequilíbrios econômicos globais | Em um contexto de crise de confiança entre antigos aliados, os países industrializados do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão) reúnem-se a partir desta segunda-feira (15) na cidade de Évian, nos Alpes franceses. O Brasil participa como país parceiro dos debates, ao lado de Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito, a convite do governo francês. Lúcia Müzell, enviada especial da RFI a Évian O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta manhã em Genebra e deve ser um dos primeiros líderes a chegar à cúpula, antes do meio-dia. Neste primeiro dia, as reuniões são fechadas aos membros plenos do grupo de potências desenvolvidas, mas Lula poderá aproveitar a ocasião para ter encontros bilaterais com lideranças presentes no encontro, como o presidente Emmanuel Macron. O Planalto não esconde o desejo de uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que é esperado para o jantar de recepção dos chefes de Estado do G7, esta noite. Até o momento, nenhuma reunião entre os dois está prevista, mas os líderes poderiam manter um diálogo informal à margem da agenda oficial, como já ocorreu no passado. Para Brasília, a cúpula representa uma oportunidade para tentar amenizar as novas tarifas de 25% que o governo americano anunciou sobre uma série de produtos brasileiros importados há duas semanas. O bom entendimento pessoal demonstrado pelos dois presidentes durante a visita de Lula à Casa Branca, em maio, poderia favorecer o diálogo. Trump fica até o final? No entanto, o comportamento imprevisível do líder americano deixa o jogo em aberto. A participação de Trump é um mistério até para a presidência francesa, que chegou a adiar a data do início da cúpula, prevista inicialmente para 14 de junho, dia do aniversário de Trump, no intuito de aumentar as chances de sua vinda ao encontro. Washington confirmou que ele estará presente e deve ser recebido por Macron para um jantar exclusivo no Palácio de Versalhes, na noite de quarta-feira, após o encerramento da cúpula em Évian. Entretanto, em plena assinatura de um acordo para encerrar o conflito contra o Irã, não pode ser descartada a hipótese de que o presidente dos Estados Unidos deixe a França antes do previsto. A agenda oficial do evento está carregada de desafios de peso, a começar por uma reunião sobre a guerra na Ucrânia, com a presença do presidente Volodymyr Zelensky, na manhã de terça. A primeira ambição é que todos os países concordem com a necessidade de manter o apoio à Ucrânia, incluindo a soberania do país sobre o seu território, ocupado pela Rússia. Os Estados Unidos praticamente abandonaram o apoio militar e financeiro a Kiev. A intenção de Paris é voltar a atrair a atenção de Trump para o conflito na Europa, que foi deixado em segundo plano após a ofensiva contra o Irã. Em seguida, a guerra no Oriente Médio entra em foco, com a participação de potências árabes que têm contribuído na mediação de uma saída duradoura para o conflito: Egito, Catar e Emirados Árabes Unidos. O objetivo número um é a reabertura completa do Estreito de Ormuz, mas também as negociações sobre o futuro do programa nuclear iraniano. Em um comunicado comum, França, Reino Unido, Alemanha e Itália afirmam estar "empenhados em desempenhar o nosso papel para alcançar esse objetivo (...), inclusive por meio de uma missão estritamente defensiva e independente para tranquilizar o tráfego comercial e realizar operações de desmontagem de minas". "Trabalharemos intensamente com os Estados Unidos, o Irã e os parceiros regionais para aproveitar esta oportunidade, manter o ímpeto e alcançar uma solução diplomática de longo prazo", diz o texto, publicado durante a madrugada. Discursos de Lula Na sequência, abrem-se os trabalhos em formato ampliado aos países parceiros do G7. O Brasil participa de sessões de trabalho sobre a ajuda dos países ricos às nações em desenvolvimento, na tarde desta terça (16), e o crescimento econômico internacional e a inteligência artificial, ambas na quarta-feira. O presidente Lula deve discursar nas duas primeiras reuniões. O assunto das tarifas unilaterais poderia ser tratado na sessão sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais, com potencial de gerar uma crise mundial. O tema está no centro das preocupações na agenda econômica deste G7. O mundo encontra-se refém de uma dinâmica perigosa de dependência de produtos da China, que produz e exporta muito, mas consome pouco, enquanto os Estados Unidos mantêm o consumo em alta à custa do aumento do endividamento, e a Europa não investe o suficiente para competir neste cenário. Para os países do sul global, a queda da ajuda internacional ao desenvolvimento, sob condições cada vez mais rigorosas, estrangula a capacidade das nações mais pobres de aliviar o sufoco da dívida. Na última quinta-feira, pela primeira vez no contexto de um G7, a China foi convidada para uma videoconferência com os países do grupo para abordar este aspecto. Pequim concordou que os desequilíbrios representam um entrave ao crescimento mundial e devem ser combatidos. O assunto deverá ser retomado no âmbito do G20, este ano presidido pelos Estados Unidos. Dezesseis textos são negociados A expectativa é que, ao final do evento, um comunicado final comum dos integrantes do grupo seja publicado, que poderá ou não ser apoiado pelos cinco países convidados. O governo brasileiro esteve presente em uma série de reuniões preparatórias à cúpula em diversos temas, do comércio ao meio ambiente, passando por segurança e tecnologia, entre outros. Um total de 16 textos estão sendo negociados pelos países. Além deles, instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também foram convidadas. Na última sessão da cúpula, um almoço de trabalho sobre as big techs, focado na proteção dos menores no ambiente digital, contará com a presença dos CEOs de algumas das maiores empresas de tecnologia do planeta, como o da OpenAI, Sam Altman, e o da DeepMind, Demis Hassabis. | — | ||||||
| 6/12/26 | ![]() Crise em Ormuz entra nos debates preparatórios da COP31 sobre eletrificação✨ | climate changegeopolitical tensions+3 | — | Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas | AlemanhaBonn+4 | COP31Bonn+5 | — | 5m 41s | |
Want analysis for the episodes below?Free for Pro Submit a request, we'll have your selected episodes analyzed within an hour. Free, at no cost to you, for Pro users. | |||||||||
| 6/11/26 | ![]() Copa de 2026 começa sob tensões geopolíticas, críticas a Trump e com recorde de seleções✨ | Copa do Mundogeopolítica+4 | — | Federação | Estados UnidosIrã+6 | Copa do Mundo2026+6 | — | 5m 44s | |
| 6/10/26 | ![]() Alemanha registra recorde de denúncias de discriminação✨ | discriminaçãoracismo+3 | Gabriel Brust | Agência Federal Antidiscriminação da Alemanha | Alemanha | discriminaçãoAlemanha+5 | — | 6m 43s | |
| 6/9/26 | ![]() Gastronomia nórdica aposta em sustentabilidade para ampliar turismo e impacto econômico regional✨ | gastronomia nórdicasustentabilidade+3 | Fernanda Larsen | Guia MichelinConselho Dinamarquês de Agricultura | Copenhaguepaíses nórdicos | gastronomiasustentabilidade+3 | — | 5m 56s | |
| 6/8/26 | ![]() Apuração da eleição presidencial no Peru aponta candidatos em empate técnico✨ | electionpolitics+3 | Pedro Pannunzio | Força PopularJuntos Pelo Peru+2 | PeruLima | Peru electionKeiko Fujimori+3 | — | 4m 40s | |
| 6/5/26 | ![]() Fundo de florestas terá conta em Luxemburgo e espera chegar a US$ 10 bilhões até o final do ano✨ | Fundo Florestasfinanciamento+3 | Vivian Oswald | Fundo Florestas Tropicais Para Sempre | LuxemburgoBrasil+5 | Fundo FlorestasLuxemburgo+6 | — | 3m 42s | |
| 6/4/26 | ![]() Interesses de grupos americanos estão no centro de novo tarifaço de Trump contra Brasil, dizem analistas✨ | tariffsUS-Brazil relations+4 | Raquel Miura | Associação de Comércio Exterior do BrasilCasa Branca+4 | BrasilEstados Unidos | tariffsTrump+6 | — | 6m 37s | |
| 6/3/26 | ![]() Portugueses param o país em greve geral contra reforma trabalhista que também afeta brasileiros✨ | greve geralreforma trabalhista+4 | Letícia Fonseca-Sourander | RFIFederação Nacional dos Médicos | PortugalBrasil | greve geralreforma trabalhista+5 | — | 6m 41s | |
| 6/2/26 | ![]() Alemanha debate: quem não tem filhos deve receber uma aposentadoria menor?✨ | aposentadoriareforma previdenciária+3 | Gabriel Brust | RFI BrasilCDU+2 | Alemanha | aposentadoriaAlemanha+5 | — | 6m 05s | |
| 6/1/26 | ![]() Surpresa na Colômbia: extrema direita larga na frente no segundo turno da corrida presidencial✨ | Colombian electionsextreme right+3 | — | Defensores da PátriaPacto Histórico+1 | Colômbia | Colombiaelections+5 | — | 8m 08s | |
| 5/29/26 | ![]() Polarização política inédita marca eleição presidencial na Colômbia | Cerca de 41,4 milhões de colombianos vão às urnas no próximo domingo (31) para escolher o novo presidente do país. Historicamente, as disputas eleitorais na Colômbia oscilam entre opções de centro-direita e de centro-esquerda. Desta vez, no entanto, o pleito traz candidatos mais radicais, da esquerda à extrema direita, aproximando o país dos cenários de polarização dos vizinhos. Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires Dos 11 candidatos, os dois que lideram as pesquisas representam a esquerda e a extrema direita, e prometem mudar a Constituição e adotar uma linha dura que podem conduzir o país a um cenário desconhecido. Há quatro anos, com a vitória do atual presidente Gustavo Petro a esquerda vencia pela primeira vez uma disputa eleitoral. Petro não tem a possibilidade legal de reeleição e termina seu mandato em agosto. Seu candidato, Iván Cepeda (Pacto Histórico), rivaliza com o outro polo: Abelardo de la Espriella (Defensores da Pátria), um nacionalista de extrema direita. Cepeda corre com vantagem neste primeiro turno, mas o cenário está aberto para o segundo turno, em 21 de junho. “Essas opções representam propostas diametralmente opostas, algo com o qual, historicamente, a Colômbia não está acostumada. O país oscilou sempre entre opções liberais tradicionais de centro, nas quais as divisões ideológicas entre direita e esquerda não eram identificadas pelos candidatos. Desde 2022, com a chegada de Gustavo Petro, experimentamos uma reconfiguração política, de alternância ideológica explícita”, diz à RFI a cientista política Paola Montilla, diretora da Escola de Governo e Políticas Públicas da Universidade Externado da Colômbia. Desta vez, tudo mudou. Ou nem tudo. Uma terceira candidata, a senadora Paloma Valencia, representa a centro-direita tradicional e tem chances de se tornar a primeira mulher eleita do país. Seu partido, o Centro Democrático, foi fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e mantém chances de surpreender. Assim, o candidato governista Iván Cepeda, atualmente senador, lidera a disputa, rivalizando com o candidato da extrema direita, Abelardo de la Espriella, que se identifica com o salvadorenho Nayib Bukele, o argentino Javier Milei e o norte-americano Donald Trump. Embora as mulheres sejam mais propensas a votar, numa proporção histórica de 58% contra 42% dos homens, as propostas com foco na diversidade sexual vêm de Iván Cepeda, reconhecido defensor dos direitos humanos, cujo pai, o legislador Manuel Cepeda, foi assassinado em 1994 por agentes do Estado com a participação de paramilitares. Essas propostas progressistas rivalizam com as conservadoras de Abelardo de la Espriella, um advogado penalista, defensor de Alex Saab, suposto testa de ferro do venezuelano Nicolás Maduro. Risco democrático Paola Montilla explica que o que está em jogo é a alternância política na Colômbia, sobretudo a estabilidade da democracia. A oscilação inédita entre polos políticos é um desafio para a resistência do sistema democrático colombiano. O mais curioso é que, apesar dessa inédita disputa ideológica, os candidatos mais radicais não participaram de nenhum debate político e deram poucas entrevistas. Aos debates foram apenas os candidatos de centro, privando os colombianos de conhecer os programas de governo dos que podem vencer a corrida eleitoral. “Foi uma campanha eleitoral atípica devido à ausência de debates entre os principais candidatos, o que impediu a possibilidade de contrastar propostas e conhecer suas teses fundamentais”, afirma Montilla, apontando ainda outras características das estratégias eleitorais da esquerda e da extrema direita. “Cepeda concentrou-se nos comícios públicos e Abelardo manteve o foco nas redes sociais, apelando para o emocional com mensagens curtas”, observa. Em entrevista à RFI, o economista e analista político Jorge Restrepo, da Universidade Javeriana de Bogotá, também acredita que os principais candidatos, tanto de esquerda quanto de extrema direita, representam um risco significativo para o sistema constitucional democrático e liberal vigente na Colômbia, especialmente no que se refere à divisão de poderes, ao Estado de Direito e às liberdades constitucionais.“A institucionalidade constitucional está em sério risco na Colômbia”, alerta Jorge Restrepo. Como exemplo, Restrepo cita algumas declarações dos candidatos. Abelardo de la Espriella questiona as garantias judiciais, os direitos humanos e a livre iniciativa.“O discurso de linha dura pode esconder traços de autoritarismo”, adverte Restrepo, especialista em segurança. Já Iván Cepeda, de esquerda, defende a convocação de uma Assembleia Constituinte para modificar a Constituição caso o Congresso não aprove as reformas sociais que ele propuser.“Ou seja, se um dos poderes não aceitar essas reformas, ele quer se impor com uma nova Constituição”, critica Restrepo. Paridade eleitoral As pesquisas de intenção de voto indicam um cenário indefinido neste primeiro turno, levando a disputa para o segundo turno dentro de três semanas. A disputa acirrada impede que algum candidato ultrapasse 50% dos votos. Quem larga na frente é o candidato governista Iván Cepeda. Com cerca de 35% das intenções de voto, teria lugar garantido no segundo turno. A dúvida é contra quem. A maioria das pesquisas indica que Abelardo de la Espriella teria cerca de 25% dos votos. Outras apontam que esse percentual seria de Paloma Valencia. O que todos os levantamentos indicam é que Iván Cepeda venceria Abelardo de la Espriella em um segundo turno, mas teria dificuldades para derrotar Paloma Valencia, caso ela avance. “Todos os cenários estão em aberto porque há cerca de 11% de indecisos e, quando perguntados se poderiam mudar de voto, outros 11% dizem que sim”, afirma Paola Montilla. “Paloma Valencia tem maior probabilidade de derrotar Iván Cepeda devido ao seu perfil moderado, que gera menos rejeição. Abelardo de la Espriella, ao contrário, provoca forte rejeição, especialmente entre as mulheres, devido à sua atitude misógina e agressiva. As pesquisas indicam que Paloma venceria Cepeda, enquanto Abelardo teria menos chances. Por isso, o governo usa seus recursos para atacar Abelardo de la Espriella, o candidato ideal para enfrentar”, avalia Jorge Restrepo. “Paloma Valencia é mulher, mãe de família. É filósofa, especializada em economia, com mestrado em políticas públicas. É moderada e amável. Reúne todas as características de uma candidata ideal, não fossem os tempos atuais das redes sociais, exploradas por Abelardo de la Espriella”, compara Restrepo. Segurança define o debate público A segurança sempre foi um tema sensível na Colômbia, que lida com a produção de dois terços de toda a cocaína do mundo, além da presença de milícias e guerrilhas. Nesse sentido, o extremista de direita Abelardo de la Espriella propõe mão dura contra o crime. Iván Cepeda deve se distanciar da política de “paz total” do atual presidente Gustavo Petro, que tentou negociar com o Exército de Libertação Nacional, com dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e com o Clã do Golfo, mas não obteve resultados, exceto o fortalecimento dessas organizações criminosas. Paloma Valencia já se opôs, no passado, ao Acordo de Paz de 2016 e tenderia a retomar a cooperação com os Estados Unidos. “A proposta de ‘paz total’ de Gustavo Petro, de negociar com grupos ilegais, levou à perda de controle de muitos territórios. Em geral, Iván Cepeda representaria uma continuidade do governo Petro, mas com nuances, como na forma de lidar com o crime organizado”, prevê Paola Montilla, da Escola de Governo e Políticas Públicas da Universidade Externado. Para Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (CERAC), a segurança é um tema central nesta campanha eleitoral, mas o foco já não é o conflito armado, e sim a criminalidade urbana. “Preocupam mais crimes como extorsão a comerciantes, sequestros-relâmpago de pequenos e médios empresários e roubo de cargas. Os guerrilheiros já não querem substituir o Estado nem tomar o poder”, afirma. O tráfico de drogas tornou-se mais lucrativo. Na Colômbia atual, o lucro supera a ideologia. A extrema direita capitaliza melhor essa crise de segurança, sobretudo porque o candidato Abelardo de la Espriella é um advogado penalista que afirma saber como lidar com criminosos. “O candidato de extrema direita tem sido habilidoso para capitalizar a crise de segurança. Paloma Valencia não tem credibilidade para um discurso de linha dura. Iván Cepeda enfrenta dificuldades por causa do fracasso da política do atual governo", diz Jorge Restrepo. "Paloma promete políticas do passado. Cepeda propõe políticas que não funcionaram sob Gustavo Petro. O único que apresenta propostas diferentes é Abelardo de la Espriella. Sabemos que militarizar a segurança e reprimir o crime organizado não dará certo, mas o cidadão comum não sabe disso e adere ao discurso de mão dura”, conclui. | — | ||||||
| 5/28/26 | ![]() Eleições e escândalo do Banco Master impulsionam voto pelo fim da jornada 6x1 no Brasil | Parlamentares têm sido cobrados nas ruas e nas redes sociais a reduzir a escalada de trabalho. Proposta de Emenda Constitucional foi aprovada na Câmara, com apenas 22 votos contrários no primeiro turno e 19, no segundo. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Falência de negócios, queda de produção, riscos econômicos: argumentos que eram usados no século XIX em defesa da escravização de pessoas negras também são repetidos hoje por quem contesta mudanças na jornada de trabalho no Brasil. Mas as eleições estão ajudando a sepultar a escala 6x1 e a estabelecer uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de folga por semana. A proximidade do pleito tem obrigado autoridades políticas a apresentar uma agenda mínima em sintonia com a população. Isso veio em meio a um cenário marcado por escândalos, como o do Banco Master, que atingiu figuras centrais do Congresso, e aos esforços do governo para ganhar popularidade. Eleições são daqueles raros momentos em que, mesmo sopesando o poder financeiro dos grandes grupos nas doações, o voto de um trabalhador na urna conta da mesma forma que o de um grande empresário. E o primeiro grupo é bem mais numeroso. O andar de cima também tem se movimentado nos bastidores. Após o acordo fechado entre o governo e a presidência da Câmara em torno de uma proposta com transição de apenas um ano, começaram peregrinações voltadas ao Senado. “Empresários já procuraram o presidente do Senado, mas acredito que a PEC será aprovada também pelos senadores. Primeiro porque o mandato de 2/3 da Casa termina agora e, assim, são 54 senadores candidatos, a maioria buscando a reeleição. Segundo porque esse tema tem um forte apoio da população, talvez seja a proposição com mais apoio popular dos últimos tempos”, afirmou à RFI o senador Humberto Costa (PT/PE). A proposta original foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT/MG) e previa uma jornada de 36 horas. O assunto ganhou as redes sociais num desabafo de Rick Azevedo (PSOL/RJ) – um balconista de farmácia exausto com a longa jornada, que depois virou vereador – e foi bandeira no Congresso pela atuação da deputada Erika Hilton (PSOL/SP), autora de uma PEC sobre o tema que tramitou em conjunto. Mas de repente, as mudanças passaram a ser defendidas por partidos de várias matizes. “Nós apoiamos a escala 5x2 por acreditar que é o novo momento para o trabalhador brasileiro”, afirmou o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (Maranhão). “A base familiar é fundamental para nós. E acreditamos que com o trabalhador tendo mais tempo com sua família, teremos um país melhor na formação das crianças e adolescentes”, justificou o líder do Progressistas, deputado Doutor Luizinho (RJ). Uma das cenas que viralizaram durante as discussões foi a deputada Sâmia Bonfim (PSOL/SP) mostrando um pote de óleo de peroba durante uma entrevista de Nickolas Ferreira (PL/MG), pois o parlamentar foi um árduo crítico da PEC e, ao fim, votou a favor da redução da jornada de trabalho. “A matéria estava aí. Mas foi a dor de uma bicha de balcão e a insistência de um deputada travesti que deu voz a essa matéria, que popularizou essa pauta. Então essa vitória vai para a conta do movimento LGBTQIA+, na conta da luta das mulheres”, ressaltou Erika Hilton, ao se referir à atuação dela e de Rick Azevedo no processo. "Não dá para descansar" Muitos debates têm sido realizados sobre o tema na imprensa e em fóruns oficiais, com destaque para a presença de economistas, especialistas em trabalho, parlamentares, confederações patronais e de empregados. Em meio a projeções e números apresentados pelas partes, estão aqueles diretamente atingidos pela jornada 6x1, mas que, justamente pela jornada exaustiva, não conseguem comparecer às manifestações que pedem mudanças. Não só porque estão trabalhando, mas porque temem serem identificados e perderem o emprego. A reportagem ouviu pessoas que estão nos shoppings, nas padarias, nas farmácias, nos postos de combustível. A maioria falou baixo e pediu para dar apenas o primeiro nome. “Não dá para descansar com um só dia de folga. Como a jornada diária é longa, acumula tarefas de casa. Aí no dia de folga, que no meu caso é na terça-feira, eu vou cuidar da casa, lavar roupa, passar roupa, limpar tudo”, disse Sílvia, que trabalha num supermercado. “Não consigo ter lazer, não consigo ir numa pizzaria, num aniversário, nada disso. Nem me chamam mais, por causa do meu horário. Nem folga fixa eu tenho, mas geralmente é na terça ou na quinta-feira”, relatou Marcos, que trabalha numa drogaria. O funcionário contou que este ano a jornada dele passou a ser 5x2, portando com dois dias de folga, porém houve aumento da carga diária para dez horas trabalhadas, além de uma hora de almoço. Contando com deslocamento de uma hora e meia na ida e na volta, ele passa 14 horas por dia por conta do trabalho. “É muito cansativo, chego em casa esgotado.” Tanto Sílvia quanto Marcos recebem um salário-mínimo, mesmo valor que a loja de departamento de um shopping em Brasília paga a Henrique, que ainda sonha em realizar o aniversário do filho, hoje com três anos. “Não tem como fazer o aniversário dele na quarta-feira. E mesmo quando tenho folga no domingo, que é raríssimo, é difícil porque preciso organizar tudo antes e depois limpar, já que tenho que trabalhar no dia seguinte. Então a gente faz um bolinho só entre nós, mas eu queria fazer uma comemoração com amigos e família.” A jornada puxada acabou fazendo com que a atendente Érika tivesse dificuldade de seguir com o curso superior. “Eu trabalhava num shopping e tranquei a faculdade, que era federal. Não conseguia me dedicar porque a jornada era muito puxada. Acabei fazendo outro curso, que tinha a modalidade à distância, em outra instituição.” Ela e a amiga Ana trabalham hoje num laboratório de exames médicos, com folga aos domingos, mas com expediente todos os sábados e na maioria dos feriados. “É muito cansativo, você perde tempo de convivência com a família, com os amigos e pode ter problemas de saúde mental. No meu caso é muito tempo de tela, imagina conseguir estudar depois da jornada”, afirmou Ana. | — | ||||||
| 5/27/26 | ![]() Muita política e pouco futebol: entenda os motivos do desinteresse dos alemães pela Copa 2026 | A seleção alemã de futebol se reúne nesta quarta-feira (27), na Baviera, para dar início à preparação para a Copa do Mundo 2026. A nationalmannschaft terá 18 dias para fazer os últimos ajustes antes da estreia no torneio, que este ano terá como países-sede o Canadá, os Estados Unidos e o México. Mas o clima na Alemanha é de pouco entusiasmo tanto com o time quanto com a organização do evento. Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, Alemanha O desânimo é tão evidente que se tornou tema de debate na imprensa alemã. Um comentarista do jornal Nordkurier diz que “a expectativa para a apresentação da seleção hoje está mais parecida com a de uma visita ao dentista”. Ele compara esse clima com o da Copa de 2006, quando a Alemanha sediou o torneio e o país viveu uma verdadeira euforia, com bandeiras por todos os lados e forte engajamento popular. Hoje, 20 anos depois, o entusiasmo parece distante. Em 2014 veio a Copa disputada no Brasil e o tetracampeonato alemão, outro momento de celebração e êxtase nas ruas da Alemanha. Mas é verdade que, depois da copa do 7 a 1, a nationalmannschaft parece não mobilizar mais os seus torcedores. Este ano, não há decoração nas ruas nem eventos públicos organizados. A cidade de Mainz, por exemplo, decidiu não organizar a exibição pública dos jogos em telões. O próprio clube local, o Mainz 05, que disputa a Bundesliga, também optou por não abrir o estádio para que os torcedores assistam às partidas em grupo, colo costumava acontecer. As autoridades e o clube justificam a decisão pelos custos adicionais com segurança e pessoal, principalmente devido ao horário mais tardio dos jogos. Mas essa explicação não convence totalmente, já que a estreia da Alemanha está marcada para 14 de junho, às 19h. O adversário do primeiro embate, por outro lado, pode ajudar a explicar o desânimo: a pouco estrelada seleção de Curaçao. Leia tambémBrasileiro no futebol alemão fala sobre volta aos gramados: "medo ainda existe" Anfitriões hostis O país anfitrião é um fator relevante e difícil de dissociar do contexto político. A Copa de 2014 é frequentemente apontada como o último momento de grande mobilização na Alemanha em relação ao torneio. Desde então, as três edições seguintes foram realizadas em países percebidos como politicamente hostis por parte significativa da população alemã: a Rússia, em 2018; o Catar, em 2022; e, agora, os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, considerado o presidente americano mais impopular entre os alemães. Segundo pesquisas, 71% da população do país não veem mais os Estados Unidos como um parceiro confiável. Apesar disso, quando os ingressos começaram a ser vendidos, a Alemanha figurou entre os países com o maior número de inscrições, atrás apenas de Inglaterra e Colômbia, e registrando, por exemplo, o dobro de pedidos em comparação com a França. No entanto, com a proximidade do torneio, o aumento dos preços afastou parte dos interessados. Assistir aos três jogos da Alemanha na fase de grupos pode custar entre € 8 mil e € 9 mil por pessoa, considerando passagens, hospedagem e traslado. Segundo agências de viagem, a procura por pacotes para a Copa do Mundo está abaixo do esperado. Muitos torcedores alemães já optam por direcionar seus planos para a Euro 2028, que será disputada no Reino Unido e na Irlanda. Há duas semanas, a Federação Alemã de Futebol lançou uma campanha para estimular o interesse pelo torneio, incluindo vídeos que destacam depoimentos emocionantes dos jogadores. A iniciativa busca especialmente atrair o público mais jovem. Desde o último título, há 12 anos, a nova geração que passou a acompanhar a seleção alemã não viu conquistas, apenas eliminações precoces, como nas Copas de 2018 e 2022, quando a Nationalmannschaft foi eliminada ainda na fase de grupos. Esse histórico esportivo ajuda a explicar a queda de entusiasmo dos alemães pela Copa: a percepção de perda de qualidade do futebol alemão. Campeão mundial Lothar Matthäus provoca Vinícius Jr. O técnico Julian Nagelsmann, de 38 anos, é visto com bastante ceticismo por ser um treinador relativamente jovem e que, desde que assumiu a seleção alemã, em 2023, não tem tido um grande desempenho. Ele foi criticado por deixar de fora, por exemplo, o prodígio do Colônia Said El Mala, de 19 anos, que marcou 13 gols na reta final da Bundesliga. Houve grande polêmica também em torno da decisão de recolocar o goleiro veterano Manuel Neuer entre os titulares, após dois anos afastado da seleção. Parte da opinião pública considerou injusta a troca de última hora de Oliver Baumann — que disputou todas as eliminatórias da Copa do Mundo — pelo jogador do Bayern de Munique. Mas a decisão recebeu um apoio de peso: o campeão mundial Lothar Matthäus afirmou publicamente que Neuer ainda é o melhor goleiro da Alemanha e fez uma declaração provocativa direcionada aos torcedores brasileiros. Em comentário ao jornal Bild, Matthäus disse que “quando um Vinicius Jr. fica cara a cara com o Manu, ele já fica com um borrão na cueca”. Com ou sem entusiasmo, a seleção alemã ainda joga dois amistosos contra Finlândia e Estados Unidos antes da estreia na Copa. A base da delegação será na Carolina do Norte. | — | ||||||
| 5/26/26 | ![]() Dinamarca cria ferramenta digital para ajudar filhos de pais divorciados | A plataforma desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Copenhague, mostrou redução significativa de ansiedade, tristeza e conflitos familiares. Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague Batizada de SES NXT, a plataforma funciona como um programa digital de apoio psicológico voltado para crianças e adolescentes entre 3 e 17 anos. O conteúdo é dividido por faixa etária e inclui vídeos, exercícios práticos e relatos de outras crianças que passaram pela separação dos pais. Entre os temas abordados estão conflitos familiares, adaptação à vida em duas casas, famílias recompostas e identificação das emoções depois do divórcio. Segundo o psicólogo Gert Martin Hald, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague e um dos responsáveis pelo estudo, o divórcio costuma ser o primeiro grande evento negativo vivido por muitas crianças. “Algumas crianças e adolescentes desenvolvem sofrimento psicológico importante e até dificuldades escolares com o divórcio dos pais”, afirma Gert Martin Hald. Melhora emocional O estudo acompanhou 866 crianças e adolescentes durante 12 semanas. Os participantes foram divididos em dois grupos, um recebeu acesso imediato à plataforma e o outro só passou a utilizar a ferramenta depois do fim da pesquisa. Segundo os pesquisadores, as crianças que utilizaram o programa apresentaram redução significativa de sintomas como tristeza, ansiedade, preocupação excessiva e problemas de comportamento. Também houve melhora na concentração, nas relações sociais e na capacidade das crianças de lidar com conflitos familiares. Um dado que chamou bastante atenção foi que quase metade das crianças que utilizou a plataforma saiu de um quadro considerado emocionalmente vulnerável para níveis normais de bem-estar psicológico. No grupo que não teve acesso imediato à ferramenta, essa melhora apareceu em apenas uma em cada dez crianças. Países Nórdicos Hoje, a plataforma SES NXT já é utilizada em 16 municípios dinamarqueses. Cerca de 1.700 crianças já passaram pelo programa. O programa também foi adotado na Suécia, Noruega, Islândia e Finlândia. Os países Nórdicos aparecem historicamente entre as nações europeias com maiores índices de separação, de acordo com os dados do Eurostat, o órgão de estatísticas da União Europeia. Na Dinamarca, por exemplo, cerca de 12.800 divórcios foram registrados em 2023, segundo o Instituto Nacional de Estatística do país. Suécia e a Finlândia também aparecem regularmente entre os países europeus com taxas elevadas de divórcio. Os pesquisadores alertam que um dos fatores importantes para o bem-estar das crianças depois da separação é justamente a redução dos conflitos entre os pais. | — | ||||||
| 5/25/26 | ![]() Aviões militares dos Estados Unidos sobrevoam Caracas com autorização do governo venezuelano | Quase cinco meses após a operação militar de 3 de janeiro, aeronaves dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos voltaram a sobrevoar Caracas, desta vez com autorização do governo venezuelano. Na quinta-feira, o governo anunciou que havia autorizado a embaixada norte-americana a realizar um exercício de evacuação para casos de emergência médica e contingências consideradas catastróficas. Pedro Pannunzio, correspondente da RFI em Caracas Segundo o ministro das Relações Exteriores, Yván Gil, a operação incluiria o sobrevoo de duas aeronaves militares norte-americanas sobre a capital venezuelana e o pouso na embaixada dos Estados Unidos. O anúncio foi transmitido pela televisão estatal venezuelana, e um comunicado oficial foi publicado nas redes sociais do chanceler. No dia seguinte, sexta-feira, a postagem foi apagada sem explicações oficiais. Ainda assim, o exercício militar foi mantido e ocorreu no sábado. Uma das principais autoridades a participar da atividade foi o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, que chegou a Caracas a bordo de uma das aeronaves usadas na operação. Segundo a embaixada dos Estados Unidos em Caracas, Donovan participou de reuniões com representantes do governo interino e se reuniu com funcionários da representação diplomática norte-americana. A embaixada dos Estados Unidos na Venezuela foi reaberta após a operação militar que terminou com o sequestro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, atualmente presos nos Estados Unidos. Reações da esquerda A operação provocou reações de diferentes setores da esquerda venezuelana. Pelo menos duas manifestações aconteceram em Caracas contra o exercício realizado pelos Estados Unidos. Uma delas, organizada pelo Partido Comunista da Venezuela, reuniu organizações de esquerda críticas ao chavismo e ao governo de Delcy Rodríguez. Em nota, o PCV afirmou que a operação representa “uma nova expressão da condição de subordinação política e militar à qual a Venezuela foi submetida depois da intervenção de 3 de janeiro”. O partido também fez críticas diretas à presidente venezuelana e afirmou que “a atual administração liderada por Delcy Rodríguez não só foi incapaz de defender a integridade nacional, como atuou como garantidora dos interesses econômicos de Washington”. Ainda no sábado, movimentos sociais ligados ao chavismo também foram às ruas. Os manifestantes evitaram ataques ao governo e direcionaram as críticas aos Estados Unidos. A organização Alba Movimentos, que liderou a manifestação, classificou o exercício militar como uma ação “intimidatória” e uma “ameaça à soberania nacional por parte do imperialismo norte-americano”. O grupo afirma que poupou o governo de Delcy Rodríguez por entender que a administração interina atua sob forte pressão militar dos Estados Unidos. 'Manutenção da Pátria' Representantes do governo interino evitaram fazer comentários diretos sobre o exercício militar, mas algumas figuras importantes do chavismo publicaram mensagens nas redes sociais em defesa da estabilidade política e da recuperação econômica do país. O deputado Jorge Arreaza, nome forte do governo Delcy, disse que a prioridade, neste momento, deve ser a retomada da economia venezuelana e a manutenção da paz. “Conseguir o fim das sanções para recuperar a economia são consensos essenciais de todos os setores políticos”, disse em uma publicação no X. Arreaza afirmou ainda que os grupos que apostam no conflito ficam “fora do jogo”. O ministro da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, disse que “os republicanos precisam atuar com responsabilidade pela existência e pela manutenção da pátria”. Já a deputada e ex-ministra chavista Iris Varela afirmou que “o povo venezuelano jamais vai se deixar esmagar por qualquer império”. Ela também repetiu uma frase popularizada pelo ex-presidente Hugo Chávez: “Vão se foder, ianques de merda”, escreveu em uma publicação no X. As declarações foram publicadas ao longo do fim de semana, após a realização do exercício militar. | — | ||||||
| 5/8/26 | ![]() Navio com casos de hantavírus gera tensão política e mobiliza autoridades na Espanha✨ | hantavírussaúde pública+4 | Ana Beatriz Farias | Organização Mundial da Saúde | EspanhaIlhas Canárias+3 | hantavírusEspanha+5 | — | 5m 30s | |
Showing 25 of 24
Pitch Fit is a Pro feature
See how bookable this show is for guests, which brands already advertise, the per-episode ad value, and the best-fit guest and sponsor profile. The numbers are blurred on the free plan.
How readily this show books outside guests like you.
How proven this show is for host-read sponsorships.
For Guests
ProFor Advertisers
ProUpgrade to Pro to unlock guest cadence, sponsor categories, fit scores, and per-episode ad value for this show.
Chart Positions
1 placement across 1 market.
Chart Positions
1 placement across 1 market.
